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CRISE AÉREA - SABOTAGEM OU MÁ GESTÃO?
Cel Int R1 Aer Antonio Celente Videira
Natal, data máxima da cristandade, quando o espírito fraterno impera em nossos corações, sou arrebatado a escrever essas laudas, diante das cenas do caos nos aeroportos.

Não poderia me omitir ao ver o sofrimento dos diversos segmentos, companhias aéreas, instituições ligadas à aviação, Governo e, por fim, o usuário.

Não há mais greve, as condições meteorológicas estão boas, o sistema de controle de tráfego funciona perfeitamente, enfim, tudo está justo e perfeito.

Mas o por quê do caos?

Hoje, a minha noção de juízo é outra. Fiz diversas elucubrações, propalando, como muitos brasileiros, as possíveis soluções corretivas.

A conclusão que chego, perdoem os entendidos de aviação e mesmo aqueles que nada entendem, que isso não passa de uma grande sabotagem, tendo como pano de fundo uma mídia que procura, cada vez mais, confundir a Nação.

Mas alguns vão dizer, o articulista desconhece que houve, por parte da Transportes Aéreos Marília (TAM), uma operação de overbooking, além da retirada de seis aeronaves de operacionalidade, por motivo de manutenção preventiva.

Lógico que esse fato propiciou o caos, mas a notícia como está sendo veiculada não é da mesma forma como aconteceu em março de 2006, quando o Comandante do Exército, General de Exército Francisco de Albuquerque, teve atitude que qualquer passageiro normal tomaria.

Mas o que se noticiou foi a postura arbitrária daquele Oficial General, procurando denegrir, mais uma vez, a imagem da classe militar, embora o mesmo, tenha seguido todos os trâmites legais para fazer jus ao seu assento. O epílogo do episódio foi o autoritarismo do Comandante do Exército em cima da Companhia Aérea, coitada vítima da intransigência de uma autoridade.

Agora, ao ver o fato se repetir, desta vez ocorrido com um cirurgião, que usou de truculência, sendo necessária a intervenção da Polícia Militar, quando aquele médico foi algemado e mais ainda, quando, por motivo de overbooking, passageiros quase agrediram tripulação e funcionários de terra da TAM, a notícia tomou outra conotação. Desta vez a vítima passou a ser o usuário e a vilã da história foi a Companhia Aérea.

Não quero dizer quem está certo ou errado. Apenas apresento um fato que não é recente, que se tornou prática, o overbooking, mas interpretado por canais de comunicação de forma totalmente diferente.

Assim, é bom não descartar a possibilidade de uma grande sabotagem, em que vários fatores se apresentam atemporalmente, de forma concatenada, para desacreditar um sistema de controle aéreo que demonstrou sua eficiência, sendo motivo de enaltecimento por parte de nações desenvolvidas, de acordo com artigos redigidos por quem têm profundo conhecimento do assunto. É interessante dizer que isso acontece no ano em que se comemora o Centenário de Santos-Dumont, brasileiro, indubitavelmente, precursor do vôo com o-mais-pesado-que-o-ar, pai da aviação, título não aceito por uma determinada Nação.

Um outro fato que me chamou a atenção foi o acuamento aos oficiais generais da Aeronáutica, por parte de parlamentares.

Ao ver homens que têm uma história na Força Aérea Brasileira, com grande profissionalismo, tanto na área da Proteção ao Vôo, como na Gestão Financeira, alguns foram meus veteranos no Lendário Campo dos Afonsos, outros meus chefes e comandantes, sendo hostilizados e incriminado por congressistas que nada conhecem sobre a gestão do espaço aéreo ou de aviação, fiquei perplexo por todos os valores que me foram introjetados na alma para a forja do meu caráter.

Mais uma vez a imprensa fez o seu alarde peculiar, tentando imputar irresponsabilidade e incompetência a homens de bem, cujas vidas de sacerdócio à Força Aérea Brasileira devem ser exemplo vivo às novas gerações que, infelizmente, não vêem na grande maioria dos seus homens públicos, representantes do povo.

Mas voltando à crise aérea, é incrível como algo que nunca foi motivo de desacerto passar a funcionar com precariedade, gerando críticas. Mesmo atrasos normais, por problemas técnicos rotineiros, são suficientes para ficar em evidência

Tenho viajado por esse País afora por questões profissionais, neste e nos últimos anos, sendo raro o dia que não houvesse um atraso de vinte ou trinta minutos nas operações de pouso e decolagem. Agora, a não chegada ou a saída pontual de uma aeronave, acontecendo pequenos atrasos, estes são computados como grande número de retardos, passando a ser razão para denegrir a gestão da Aeronáutica Civil.

A quem interessa isso tudo? Será que é mesmo para divulgar uma falha de gestão ou esquecer, o mais rápido possível, o choque entre o Legacy e o Boeing 737-800? Pode uma sombra na cobertura radar, por fenômenos meteorológicos, cobrir a irresponsabilidade de pilotos que não operavam adequadamente um equipamento? Por que houve um esmaecimento da operação audaz do Parasar e do Grupamento de Selva do Exército Brasileiro? Poderia isso mostrar o profissionalismo e a destinação das Forças Armadas e cobrir uma greve inoportuna e covarde dos controladores de vôo indiferentes à dor dos parentes das vítimas do Boeing.

Esse embaraço mental é que deve ser questionado. Quem está por trás disso tudo, orquestrando essa sucessão de fatos (greves, mau tempo, indisponibilidade de radares, manutenção preventiva fora do calendário, overbooking, etc).

Os estudiosos da guerra psicológica sabem os efeitos positivos ou negativos da propaganda. A meu ver está se usando a propaganda de efeito geral divisionista, com intenção de origem cinza, isto é, sem indicação da sua fonte, pois esta prefere, intencionalmente, a omissão. Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda do Terceiro Reiche, empregava a técnica da ?grande mentira?. Afirmava, enfaticamente, aquela autoridade que quanto maior a mentira e quanto mais fosse repetida, como é o caso do vocábulo ?desmilitarização?, mais facilmente seria aceita pela massa.

Por tudo isso, o momento é do desapachonamento, da reflexão, do uso da razão em detrimento da emoção, enfim, do bom senso, pois tanto o Governo, instituições ligadas à aviação, empresas aéreas e usuários são os mais interessados na resolução da crise.

Tenho certeza que o caminho será este, já que o brasileiro é o modelo do cidadão planetário. O seu sangue é uma mescla de todos os outros sangues das raças que vivem na Terra. É um povo que por possuir atributos de bondade e de solidariedade e saber ordenar suas diferenças, talvez traga preocupação àqueles que não querem ver a ordem e a legalidade, em todos os sentidos, na busca do desenvolvimento. Querem sim ver o distúrbio, o confronto social e, por fim, a desmoralização das nossas instituições, principalmente as Forças Armadas.

"O militar nada mais é que um civil fardado" é o que escreve o Coronel Aviador Renato Paiva Lamounier, no seu esclarecedor artigo DESMILITARIZAÇÃO É MESMO PRECISO? sintetiza tudo o que se está apregoando, como uma estratégia sábia na solução do problema.

Portanto, brasileiros, unam-se ao invés de se digladiarem com a crise aérea. Procurem perceber quem é o verdadeiro protagonista desta grande sabotagem. Identifiquem a real farsa que está tentando obscurecer os olhos das elites. Decodifiquem a mensagem das manchetes da mídia oficial. Interem-se das posições daqueles que dedicaram uma vida em prol da Aeronáutica Brasileira e, em especial, pelo controle do tráfego aéreo. Recorram a outras fontes de informação que não têm espaço na imprensa comum e percebam onde está a versão verdadeira dos fatos.

Tenho certeza que vão inferir que a crise da gestão aérea não é por incompetência, mas sim por mais uma trama que visa, unicamente, a travar o desenvolvimento nacional.