Natal, data máxima da cristandade, quando o
espírito fraterno impera em nossos corações, sou arrebatado a
escrever essas laudas, diante das cenas do caos nos aeroportos.
Não poderia me omitir ao ver o sofrimento dos diversos segmentos,
companhias aéreas, instituições ligadas à aviação, Governo e, por
fim, o usuário.
Não há mais greve, as condições meteorológicas estão boas, o
sistema de controle de tráfego funciona perfeitamente, enfim, tudo
está justo e perfeito.
Mas o por quê do caos?
Hoje, a minha noção de juízo é outra. Fiz diversas elucubrações,
propalando, como muitos brasileiros, as possíveis soluções
corretivas.
A conclusão que chego, perdoem os entendidos de aviação e mesmo
aqueles que nada entendem, que isso não passa de uma grande
sabotagem, tendo como pano de fundo uma mídia que procura, cada vez
mais, confundir a Nação.
Mas alguns vão dizer, o articulista desconhece que houve, por
parte da Transportes Aéreos Marília (TAM), uma operação de
overbooking, além da retirada de seis aeronaves de operacionalidade,
por motivo de manutenção preventiva.
Lógico que esse fato propiciou o caos, mas a notícia como está
sendo veiculada não é da mesma forma como aconteceu em março de
2006, quando o Comandante do Exército, General de Exército Francisco
de Albuquerque, teve atitude que qualquer passageiro normal tomaria.
Mas o que se noticiou foi a postura arbitrária daquele Oficial
General, procurando denegrir, mais uma vez, a imagem da classe
militar, embora o mesmo, tenha seguido todos os trâmites legais para
fazer jus ao seu assento. O epílogo do episódio foi o autoritarismo
do Comandante do Exército em cima da Companhia Aérea, coitada vítima
da intransigência de uma autoridade.
Agora, ao ver o fato se repetir, desta vez ocorrido com um
cirurgião, que usou de truculência, sendo necessária a intervenção
da Polícia Militar, quando aquele médico foi algemado e mais ainda,
quando, por motivo de overbooking, passageiros quase agrediram
tripulação e funcionários de terra da TAM, a notícia tomou outra
conotação. Desta vez a vítima passou a ser o usuário e a vilã da
história foi a Companhia Aérea.
Não quero dizer quem está certo ou errado. Apenas apresento um
fato que não é recente, que se tornou prática, o overbooking, mas
interpretado por canais de comunicação de forma totalmente
diferente.
Assim, é bom não descartar a possibilidade de uma grande
sabotagem, em que vários fatores se apresentam atemporalmente, de
forma concatenada, para desacreditar um sistema de controle aéreo
que demonstrou sua eficiência, sendo motivo de enaltecimento por
parte de nações desenvolvidas, de acordo com artigos redigidos por
quem têm profundo conhecimento do assunto. É interessante dizer que
isso acontece no ano em que se comemora o Centenário de
Santos-Dumont, brasileiro, indubitavelmente, precursor do vôo com
o-mais-pesado-que-o-ar, pai da aviação, título não aceito por uma
determinada Nação.
Um outro fato que me chamou a atenção foi o acuamento aos
oficiais generais da Aeronáutica, por parte de parlamentares.
Ao ver homens que têm uma história na Força Aérea Brasileira, com
grande profissionalismo, tanto na área da Proteção ao Vôo, como na
Gestão Financeira, alguns foram meus veteranos no Lendário Campo dos
Afonsos, outros meus chefes e comandantes, sendo hostilizados e
incriminado por congressistas que nada conhecem sobre a gestão do
espaço aéreo ou de aviação, fiquei perplexo por todos os valores que
me foram introjetados na alma para a forja do meu caráter.
Mais uma vez a imprensa fez o seu alarde peculiar, tentando
imputar irresponsabilidade e incompetência a homens de bem, cujas
vidas de sacerdócio à Força Aérea Brasileira devem ser exemplo vivo
às novas gerações que, infelizmente, não vêem na grande maioria dos
seus homens públicos, representantes do povo.
Mas voltando à crise aérea, é incrível como algo que nunca foi
motivo de desacerto passar a funcionar com precariedade, gerando
críticas. Mesmo atrasos normais, por problemas técnicos rotineiros,
são suficientes para ficar em evidência
Tenho viajado por esse País afora por questões profissionais,
neste e nos últimos anos, sendo raro o dia que não houvesse um
atraso de vinte ou trinta minutos nas operações de pouso e
decolagem. Agora, a não chegada ou a saída pontual de uma aeronave,
acontecendo pequenos atrasos, estes são computados como grande
número de retardos, passando a ser razão para denegrir a gestão da
Aeronáutica Civil.
A quem interessa isso tudo? Será que é mesmo para divulgar uma
falha de gestão ou esquecer, o mais rápido possível, o choque entre
o Legacy e o Boeing 737-800? Pode uma sombra na cobertura radar, por
fenômenos meteorológicos, cobrir a irresponsabilidade de pilotos que
não operavam adequadamente um equipamento? Por que houve um
esmaecimento da operação audaz do Parasar e do Grupamento de Selva
do Exército Brasileiro? Poderia isso mostrar o profissionalismo e a
destinação das Forças Armadas e cobrir uma greve inoportuna e
covarde dos controladores de vôo indiferentes à dor dos parentes das
vítimas do Boeing.
Esse embaraço mental é que deve ser questionado. Quem está por
trás disso tudo, orquestrando essa sucessão de fatos (greves, mau
tempo, indisponibilidade de radares, manutenção preventiva fora do
calendário, overbooking, etc).
Os estudiosos da guerra psicológica sabem os efeitos positivos ou
negativos da propaganda. A meu ver está se usando a propaganda de
efeito geral divisionista, com intenção de origem cinza, isto é, sem
indicação da sua fonte, pois esta prefere, intencionalmente, a
omissão. Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda do Terceiro Reiche,
empregava a técnica da ?grande mentira?. Afirmava, enfaticamente,
aquela autoridade que quanto maior a mentira e quanto mais fosse
repetida, como é o caso do vocábulo ?desmilitarização?, mais
facilmente seria aceita pela massa.
Por tudo isso, o momento é do desapachonamento, da reflexão, do
uso da razão em detrimento da emoção, enfim, do bom senso, pois
tanto o Governo, instituições ligadas à aviação, empresas aéreas e
usuários são os mais interessados na resolução da crise.
Tenho certeza que o caminho será este, já que o brasileiro é o
modelo do cidadão planetário. O seu sangue é uma mescla de todos os
outros sangues das raças que vivem na Terra. É um povo que por
possuir atributos de bondade e de solidariedade e saber ordenar suas
diferenças, talvez traga preocupação àqueles que não querem ver a
ordem e a legalidade, em todos os sentidos, na busca do
desenvolvimento. Querem sim ver o distúrbio, o confronto social e,
por fim, a desmoralização das nossas instituições, principalmente as
Forças Armadas.
"O militar nada mais é que um civil fardado" é o que escreve o
Coronel Aviador Renato Paiva Lamounier, no seu esclarecedor artigo
DESMILITARIZAÇÃO É MESMO PRECISO? sintetiza tudo o que se está
apregoando, como uma estratégia sábia na solução do problema.
Portanto, brasileiros, unam-se ao invés de se digladiarem com a
crise aérea. Procurem perceber quem é o verdadeiro protagonista
desta grande sabotagem. Identifiquem a real farsa que está tentando
obscurecer os olhos das elites. Decodifiquem a mensagem das
manchetes da mídia oficial. Interem-se das posições daqueles que
dedicaram uma vida em prol da Aeronáutica Brasileira e, em especial,
pelo controle do tráfego aéreo. Recorram a outras fontes de
informação que não têm espaço na imprensa comum e percebam onde está
a versão verdadeira dos fatos.
Tenho certeza que vão inferir que a crise da gestão aérea não é
por incompetência, mas sim por mais uma trama que visa, unicamente,
a travar o desenvolvimento nacional.