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A DESINFORMAÇÃO MIDIÁTICA COMO FATOR DE ESTÍMULO À
DELINQUÊNCIA DO ADOLESCENTE
Antonio Celente Videira
A nossa mídia, constantemente, deforma a imagem da notícia. Algumas vezes isso é intencional e outras pelo desconhecimento dos fatos. Geralmente, a mais usada é a primeira, a fim de manter a massa alheia à exatidão dos acontecimentos.

O caso que vamos narrar caracteriza enaltecimento de marginais como tendência dos donos da comunicação. Vamos lançar o caso, para que sofra a devida reflexão por parte do leitor.

O “estardalhaço” promovido pela imprensa no que tange à ousadia da “bandidagem”, a coragem, a destreza e o preparo dos malfeitores fazem inveja a qualquer “guerreiro”, quer das Polícias Militares ou das Forças Armadas, preparado para tal nos diversos centros de treinamento operacional. A mídia chega até a fazer analogias indiretas entre o “Zorro e o crime organizado” e, ainda entre a “Polícia Militar e o Sargento Garcia”.

Nós afirmamos que esse tipo de retórica é um desserviço à Sociedade, principalmente à juventude que devem estar bem informadas. Aliás, nós alertamos, em 1994, quando o Exército teve que ir para as ruas do Rio de Janeiro, a fim de conter a onda de violência que pairava sobre a Sociedade Carioca.

Acusamos os meios de comunicação através de artigo, por desmerecerem as Forças Armadas, antevendo, inclusive, o mau que o profissional da mídia estava fazendo a sua própria classe, já que também era parte da Sociedade, o que culminou com o assassínio bárbaro e cruel do cidadão jornalista Tim Lopes.

Infelizmente, esse artigo nunca foi publicado na imprensa oficial e, na época, não existiam os blogs, tão importante nos dias de hoje.

Mas a verdade é que nunca vimos tamanha covardia mesclada nas ações do banditismo. O mais recente caso, dentre tantos não enfatizados pela imprensa, é a prisão dos assassinos do menino João Hélio Fernandes.

Diego Nascimento, o primeiro a ser preso, chegou à 30ª Delegacia de Polícia todo “borrado”. É isso mesmo, o pavor era tanto que suas necessidades fisiológicas não foram controladas pelo seu sistema nervoso simpático. Já o outro bandido, Carlos Eduardo, o chefe de quadrilha, que chamou a mãe de João de “vagabunda”, preferiu pedir ajuda ao seu “papaizinho” para entregar-se aos policiais, numa praça do bairro de Marechal Hermes.

Isso é para desmantelar a mítica de que “bandido não tem nada a perder”. Além de ser uma mentira deslavada, sustentamos que bandido tem medo, e muito, de morrer. Acabou a época dos criminosos que preferiam morrer a se entregar. Lá se vão os “bons tempos” (para não falar o contrário) dos “Tião mendonho”, dos “Cara-de-cavalo”, dos “Cabeleira” e outros.

Vejam o que disse Elias Maluco, o algoz de Tim Lopes, diante da sua iminente captura: “não esculacha”. Esquálido, parecendo um ratinho indefeso, pedia clemência, através de seus olhos esbugalhados, aos policiais que o prendiam. Ali, o assassino estava diante da vida e da morte. Qualquer ação de descuido poderia estar indo para o “inferno”.

Mas, ao comparecer diante da justiça, apresentava o ar de altivez, pois, naquele local, estava seguro da intocabilidade, por saber que sua vida não seria retirada, já que as câmeras de televisão o focavam, e o juiz que iria decidir sobre sua sentença, por representar uma classe, a dos magistrados, e, portanto, sempre complacentes com malfeitores, sem dúvida não optaria por uma medida drástica, como por exemplo, a pena capital a bandidos covardes e desumanos.

Outra impropriedade, também alardeada pela mídia, é que a marginalidade opera com destreza as armas que impunha, e, portanto, promovem diversas baixas.

Esse é outro paramento deturpado do real. Temos sempre afirmado que qualquer “policial barrigudo”, com o seu revólver 38, coloca fora de combate, mortalmente, os jovens escudeiros do tráfico que se atrevem a enfrentar os organismos de segurança, portando armamento pesado, como AR-15. Dizemos isso, com tranqüilidade, porque sabemos que, por bem ou por mal, o policial tem suas horas de treinamento, enquanto a marginalidade, em não possuir munição sobrando ou local para se adestrar, pratica tiro durante o confronto com a polícia.

Esses jovens, em não serem operacionais, não sabem manusear armas sofisticadas. O resultado são granadas explodindo em suas mãos, tiros não certeiros no exato momento de enfrentamento, nervosismo que gera desordem nos movimentos das ações de combate. Isso tudo implica no elevado índice estatístico de morte de adolescentes despreparados para uma guerra, simplesmente porque estão engolfados numa vida, cujo mísero rendimento do tóxico é a glória do sucesso, além de serem estimulados pela propaganda desqualificada a respeito da audácia dos criminosos nos enfrentamentos.

Diante dessa nefasta realidade, conclamamos que o discurso de que o “crime não compensa” é a melhor maneira de se afastar o jovem dessa onda de violência que paira nos grandes centros, principalmente no Rio de Janeiro.

Aos jornalistas não muito preocupados com a ética da informação, acalentamos que o mote “o crime não compensa” também vende jornais. Dêem notícias menos tendenciosas e com sensacionalismo inteligente, a fim de não influenciarem, psicologicamente, o jovem a se enveredar pelo crime.

Hoje, profissionais da comunicação, vocês deixaram de ser noticiadores da informação, para se transformarem em influenciadores comportamentais das criaturas. Estrategicamente, têm peso no processo decisório das políticas sociais e econômicas, para não dizer na vontade psicossocial de uma nação em defesa de sua soberania.

Para que vocês percebam o poder que têm nas mãos, reflitam, portanto, sobre as palavras de Napoleão que dizia: “quatro jornais podem fazer mais mal ao inimigo que um exército de cem mil homens”.

Antonio Celente Videira é membro do Corpo Permanente da Escola Superior de Guerra e Mestre em Administração pela UNESA.