No momento em que o menino João Hélio
Fernandes Vieites era imolado pela descabida ação de insanos
malfeitores, um fato curioso acontecia por trás daquelas cenas
tétricas.
Por um lado, a imbecilidade truculenta de criaturas que ao
roubarem um automóvel de uma senhora da classe média, roubavam,
também, o que ela tinha de maior valor: a vida de seu filho. A ação
desses facínoras assemelhava-se a atuação de Gengis Khan ou Átila, o
Huno, que arrastavam, de suas montarias, os corpos de seus inimigos.
Os bandidos Diego Nascimento e Carlos Eduardo, infelizmente
brasileiros, mas que na realidade são a escória da humanidade, como
o foram considerados aqueles guerreiros acima mencionados das
estepes asiáticas, puxavam o corpo tênue de um anjo que, hora antes,
deixara um grupo de evangelização infantil de uma instituição
religiosa. Era uma ação dos demônios sacrificando um inofensivo ser
angelical, passando para a Sociedade suas máculas bestiais.
Por outro lado, também naquele momento, transeuntes e moradores
do entorno acorriam, numa tentativa desesperada em salvar aquela
criança. Motoqueiro e motorista, expondo suas vidas, esforçavam-se
por avisar sobre o trágico, achando que os malfeitores desconheciam
o que acontecia com o pequeno João.
Com o alarde da notícia pelos meios de comunicação, a Nação
entrou em choque. Blocos carnavalescos e clubes de futebol
reservaram um minuto de silêncio pela morte do garoto. Passeatas
aconteceram como mostra de indignação e pedindo mais rigor em nossa
justiça. Enfim, era a manifestação do brasileiro, povo solidário e
ordeiro, que apesar de ser vilipendiado por alguns de seus
políticos, foi e está sendo recíproco em sentimento àquela família
sôfrega.
A esse comportamento, orgulhamo-nos, pois é a resposta retumbante
a uma denegrida ação, praticada por filhos da terra, infelizmente,
chamados de brasileiros.
Entre essas duas atitudes, uma representando o bem e a outra o
mal, surge uma terceira, a de alguns magistrados, achando que a lei
em vigor é sábia, não devendo ser alterada, na busca da incriminação
de menores que praticam delitos criminais, principalmente quando
está exacerbada a emoção da Sociedade. Preferem, acreditar na
recuperação de criaturas com desvios psíquicos.
Se isso fosse verdade, Carlos Eduardo, o chefe da quadrilha, que
estava em liberdade condicional, por causa desses juristas, não
praticaria o assalto em questão que teve como desfecho a morte do
menino João.
A esses magistrados que são contra as leis mais severas, não
importa se pena capital ou prisão perpétua, conclamamos que o bojo
das suas normas do Direito foram representadas pelo sacolejar do
corpo de João Hélio, à medida que passava nos quebra-molas, nos
buracos e nos desníveis das vias por onde fora arrastado.
O estado cadavérico do menino simboliza essa legislação pífia
defendida por vocês, maus brasileiros, falsos moralistas, que só
beneficiam a bandidos, sem ter o mínimo de sentimento pela dor das
famílias que perdem entes queridos, como está acontecendo com os
pais de Joãozinho.
Vocês, magistrados que primam pelo intocável Estatuto do Menor,
encarnam os doutores da lei, da época do cristianismo, fariseus,
vendilhões da Pátria, que estão preocupados em discutir a letra
morta dos códigos, mas não o espírito danoso de uma infração que
assusta uma Sociedade de bem..
Temos fé que, diante das mazelas a que foram submetidos João
Hélio e seus pais, a Nação Brasileira há de impor sua vontade, para
estabelecer leis mais severas aos crimes bárbaros e covardes, não
importando se praticados por menor ou adulto.
Essa manifestação social há de ser a sensibilidade da
“bem aventurança dos que têm fome e sede por
justiça”, tão sabiamente propalada no Sermão da Montanha
pelo Mestre dos mestres, e que, um dia, há de esmagar esses péssimos
magistrados, por profanarem o templo da paz e da justiça que reina
no interior dos autênticos cidadãos nacionais.