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PARADOXIA COMPORTAMENTAL E O ASSASSINATO DO MENINO JOÃO
Antonio Celente Videira
No momento em que o menino João Hélio Fernandes Vieites era imolado pela descabida ação de insanos malfeitores, um fato curioso acontecia por trás daquelas cenas tétricas.

Por um lado, a imbecilidade truculenta de criaturas que ao roubarem um automóvel de uma senhora da classe média, roubavam, também, o que ela tinha de maior valor: a vida de seu filho. A ação desses facínoras assemelhava-se a atuação de Gengis Khan ou Átila, o Huno, que arrastavam, de suas montarias, os corpos de seus inimigos.

Os bandidos Diego Nascimento e Carlos Eduardo, infelizmente brasileiros, mas que na realidade são a escória da humanidade, como o foram considerados aqueles guerreiros acima mencionados das estepes asiáticas, puxavam o corpo tênue de um anjo que, hora antes, deixara um grupo de evangelização infantil de uma instituição religiosa. Era uma ação dos demônios sacrificando um inofensivo ser angelical, passando para a Sociedade suas máculas bestiais.

Por outro lado, também naquele momento, transeuntes e moradores do entorno acorriam, numa tentativa desesperada em salvar aquela criança. Motoqueiro e motorista, expondo suas vidas, esforçavam-se por avisar sobre o trágico, achando que os malfeitores desconheciam o que acontecia com o pequeno João.

Com o alarde da notícia pelos meios de comunicação, a Nação entrou em choque. Blocos carnavalescos e clubes de futebol reservaram um minuto de silêncio pela morte do garoto. Passeatas aconteceram como mostra de indignação e pedindo mais rigor em nossa justiça. Enfim, era a manifestação do brasileiro, povo solidário e ordeiro, que apesar de ser vilipendiado por alguns de seus políticos, foi e está sendo recíproco em sentimento àquela família sôfrega.

A esse comportamento, orgulhamo-nos, pois é a resposta retumbante a uma denegrida ação, praticada por filhos da terra, infelizmente, chamados de brasileiros.

Entre essas duas atitudes, uma representando o bem e a outra o mal, surge uma terceira, a de alguns magistrados, achando que a lei em vigor é sábia, não devendo ser alterada, na busca da incriminação de menores que praticam delitos criminais, principalmente quando está exacerbada a emoção da Sociedade. Preferem, acreditar na recuperação de criaturas com desvios psíquicos.

Se isso fosse verdade, Carlos Eduardo, o chefe da quadrilha, que estava em liberdade condicional, por causa desses juristas, não praticaria o assalto em questão que teve como desfecho a morte do menino João.

A esses magistrados que são contra as leis mais severas, não importa se pena capital ou prisão perpétua, conclamamos que o bojo das suas normas do Direito foram representadas pelo sacolejar do corpo de João Hélio, à medida que passava nos quebra-molas, nos buracos e nos desníveis das vias por onde fora arrastado.

O estado cadavérico do menino simboliza essa legislação pífia defendida por vocês, maus brasileiros, falsos moralistas, que só beneficiam a bandidos, sem ter o mínimo de sentimento pela dor das famílias que perdem entes queridos, como está acontecendo com os pais de Joãozinho.

Vocês, magistrados que primam pelo intocável Estatuto do Menor, encarnam os doutores da lei, da época do cristianismo, fariseus, vendilhões da Pátria, que estão preocupados em discutir a letra morta dos códigos, mas não o espírito danoso de uma infração que assusta uma Sociedade de bem..

Temos fé que, diante das mazelas a que foram submetidos João Hélio e seus pais, a Nação Brasileira há de impor sua vontade, para estabelecer leis mais severas aos crimes bárbaros e covardes, não importando se praticados por menor ou adulto.

Essa manifestação social há de ser a sensibilidade da “bem aventurança dos que têm fome e sede por justiça”, tão sabiamente propalada no Sermão da Montanha pelo Mestre dos mestres, e que, um dia, há de esmagar esses péssimos magistrados, por profanarem o templo da paz e da justiça que reina no interior dos autênticos cidadãos nacionais.