Inicialmente, por uma questão de justiça, de
submissão à verdade e à sensatez deve-se deixar claro não haver nada
contra os Funcionários Civis. Muito ao contrário, existe uma imensa
legião deles que muito ajudou a construir a grandeza da Aeronáutica
brasileira em todos os seus segmentos e, ainda hoje, trabalhando nas
Organizações Militares, é digna da maior admiração e respeito pela
sua competência e dedicação. De minha parte, lembro-me com saudade,
carinho e gratidão de muitos funcionários com os quais não só
trabalhei mas, acima de tudo, muito aprendi. Pelo que representam
como vigorosa força de trabalho nas Bases Aéreas, nas Unidades
Fabris, nos Hospitais Militares, nas Instituições de Ensino e na
área administrativa em geral não podem ser confundidos como seres
estranhos ao meio militar e arrolados nesta idiotice, precipitada e
sem fundamento, pregada sem conhecimento de causa pelo Ministro da
Defesa quanto à desmilitarização do Controle do Espaço Aéreo no
Brasil, onde uma pequena parcela de Servidores Civis, os
Controladores de Tráfego Aéreo, fizeram um movimento sobre o qual
não teceremos nenhum comentário, já que o propósito deste artigo
paira muito acima da mera reivindicação trabalhista como o
verdadeiro e exclusivo motivo do referido movimento, cuja aspiração
de melhorias e valorização da classe é justa e merecida, mas
lamentável por inoportuna e feita por meios indevidos, além do
enorme desgaste à imagem do Brasil e ao endosso dado à descabida
opinião do jornalista americano, passageiro do jato Legacy.
O conceito de Militar e Civil deve ser entendido sob a ótica da
natureza das atividades por eles desempenhadas, onde ressalta a
diferença do Regime Jurídico que os rege e onde o ponto chave da
questão não se resume ao fato de que o Militar nada mais é do que um
Civil fardado, oriundo da mesma sociedade à qual ambos pertencem e
servem. A concepção equivocada desta questão decorre, por um lado,
da desinformação quanto à sua essência e, por outro, pela maliciosa
e deliberada intenção de distorcer o real significado desta
categoria de cidadãos, com o claro objetivo de enfraquecer a coesão
nacional e, assim, tornar o país presa fácil dos seus inimigos
externos e internos também.
É neste segundo caso que se situa o Sr. Valdir Pires, Ministro da
Defesa, cuja posição equivocada extrapola os limites do seu
desconhecimento para mostrar a confusão que faz de coisas que nada
têm a ver uma com a outra. Ao declarar, imprudente e prematuramente,
sem a devida procedência de um embasamento lógico, a necessidade de
passar o controle do espaço aéreo para um órgão civil, revela o seu
despreparo para dirigir a Pasta da Defesa, onde o seu titular não
tem que ser, necessariamente, um especialista em Segurança Nacional
e, tampouco, um teórico da guerra ou um guerreiro com grandes
feitos. Igualmente, não precisa ser douto em Estratégia e demais
ciências militares e nem um profundo estudioso e conhecedor, dentre
muitas outras, da obra de Clausewitz. Basta ser, além de competente,
um patriota de bom senso, que ama o seu país e quer o melhor para o
seu povo. Basta conhecer Administração e praticar os princípios de
Chefia e Liderança, respeitando os fundamentos milenares e
universais sobre os quais se assenta a instituição militar. Basta
saber, baseado nestas virtudes, o que é conduzir homens em combate,
entendendo que um estado de guerra implica em uma nação em armas,
com total mobilização de toda a sua vontade e dos seus recursos
(como o souberam De Gaulle e os civis Roosevelt e Churchill, entre
tantos grandes estadistas ao longo da História). Basta ter vigor
mental e discernimento para avaliar situações, sem vaidade e apego
ao cargo mas com coragem para tomar atitudes e assumir riscos na
análise e adoção de soluções em interesse da sociedade como um todo
e do Brasil acima de tudo. Nada disto revelou possuir a autoridade
em apreço quando convocou para uma reunião, com a presença do
Ministro do Trabalho, os controladores de tráfego aéreo, entre eles
militares sujeitos a legislação rígida, clara, consagrada e
específica, incitando-os ao grave crime da insubordinação com o seu
apoio e conselho para não desistir de suas reivindicações e da
maneira como as postulavam. Não satisfeito, negou assento no
recinto da reunião ao Oficial General da Força Aérea Brasileira, a
ela enviado pelo Comandante da Aeronáutica, mostrando
desconhecer o elementar e fundamental Princípio da Autoridade, este
existente e praticado não só no meio militar mas, também e
sobretudo, nas empresas privadas, onde a eficiência e, em
conseqüência, a sua sobrevivência, dependem do cumprimento das
regras emanadas de sua Diretoria.
Com tudo isto retrocedeu ao tempo de sua atuação como pelego nas
revoltas dos marinheiros no Automóvel Clube e de outros militares na
Central do Brasil e soube revelar-se irresponsável e leviano ao
desprezar a verdade histórica do quanto este fato contribuiu para a
eclosão da Revolução de 1964. Ignora, ademais, o ensinamento de
Clemenceau de que “a guerra é assunto muito sério e importante
para ser tratado só pelos militares”. Além destes, as forças
vivas e a inteligência da nação são essenciais dada a importância do
esforço conjunto quando o perigo atinge tal dimensão. Então,
parafraseando o estadista citado, muito embora a questão nada tenha
a ver com estado de guerra, pode-se concluir que este assunto do
controle do espaço aéreo brasileiro é muito sério, importante e
complexo para ser tratado sob a orientação do Ministério da
Defesa apenas, ou seja, no âmbito do Poder Executivo através de
uma simples Comissão Interministerial.
É, pois, através de um amplo debate no Congresso Nacional
(com a indispensável contribuição da Imprensa não sensacionalista,
sem banalizar aspectos técnicos cuja compreensão é indispensável
para não confundir a opinião pública) que o povo brasileiro deve
ser exaustiva e claramente informado que o problema não está em ser
civil ou militar o órgão encarregado de fazer funcionar o Sistema de
Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB).
Este imenso sistema congrega aproximadamente 13.000 profissionais
de várias especialidades, de técnicos a Engenheiros, Mestres e
Doutores. Conta com uma grande variedade de instituições de
pesquisa, de ensino, de suporte técnico e de manutenção, além de um
Grupo Especial de Inspeção em Vôo dotado com aviões e tripulações
especializadas. Todo este aparato permite o funcionamento da parte
operacional onde estão, além de cerca de 2.500 controladores de
tráfego aéreo, militares e civis (1/5 apenas do efetivo do DECEA),
muitos outros especialistas, todos igualmente importantes e
essenciais ao sistema, como os meteorologistas e o pessoal de
cartografia, informações aeronáuticas, engenharia, manutenção e
busca e salvamento. Este imenso e complexo sistema vem sendo
construído e aprimorado ao longo de, pelo menos, sete décadas como
fruto do conhecimento e da experiência acumulados desde o tempo do
Serviço de Proteção ao Vôo, da Diretoria de Rotas Aéreas e do
Departamento de Eletrônica e Proteção ao Vôo. É eficiente e
econômico pela racionalidade de sua característica integrada de
Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (DACTA). Este conceito,
concebido por brasileiros, não foi copiado do estrangeiro e é
admirado pelos outros países, mesmo os muito ricos e desenvolvidos,
pela sua eficácia e originalidade em não utilizar sistemas paralelos
e independentes, evitando-se a duplicação de equipamentos de
altíssimo custo e de pessoal especializado cuja formação e
treinamento são igualmente onerosos e demorados.
Além disto, a sua resposta tem a agilidade que faltou até mesmo
no sistema dos Estados Unidos quando este não foi capaz de reagir a
tempo no célebre evento do 11 de setembro. Portanto, não procede o
argumento de que em outros paises este serviço é subordinado a
órgãos civis. Cada terra com seu fuso cada povo com seu uso, diz a
sabedoria popular. Já é tempo do brasileiro ter maturidade e orgulho
para acreditar nos seus próprios valores, parar de importar soluções
e se libertar do complexo de colônia, este grilhão cultural que,
além das nefastas ações de sucessivos governos incompetentes e
desonestos, travam o desenvolvimento do país.
Os parlamentares da comissão que tratará do assunto, os
formuladores de políticas, os tomadores de decisão e os formadores
de opinião têm o dever de conhecer todos os aspectos do problema, de
visitar as diversas organizações que compõem o conjunto dedicado ao
controle e à segurança do espaço aéreo, de ir às regiões inóspitas
onde a Força Aérea mantêm este serviço admirável em continuação ao
igualmente admirável preparo e manutenção das múltiplas exigências
para a sua existência e funcionamento eficaz. Têm a obrigação de
saber para decidir sem iludir a população como, verifica-se a todo
momento, tem acontecido em quase todas as grandes questões
nacionais. Têm, enfim, de assumir a responsabilidade pela mudança
tão propalada para que, no futuro, respondam pelas suas
conseqüências.
É, portanto, na Casa Política da nação que deve
ser tomada a decisão política de modificar um sistema eficiente e
seguro para, em conseqüência, jogá-lo no rol de todos os demais
serviços públicos que não funcionam “neste país”, como ocorre com os
outros modais de transporte, a educação, a segurança, a previdência
oficial, a saúde pública (apesar de “ele” ter declarado que esta
encontra-se perto da perfeição) e tudo o mais. A propósito, enquanto
dezenas de brasileiros desvalidos morrem nas portas dos hospitais
públicos não se ouviu e não se ouve a grita e a repercussão
assistidas diante da crise ora vivida pelo sistema de controle do
espaço aéreo.
Eficiente e seguro, sim! Como o atestam os baixos índices de
acidente e os elevados casos em que estes não ocorreram por ter o
sistema, em diversas situações, corrigido erros humanos a ele
alheios e, em outras, interferido a tempo de evitar tragédias como a
que lamentavelmente envolveu o Boeing da empresa Gol e o jato
executivo Legacy. Eficiente e seguro, sim, como é reconhecido por
organismos internacionais ligados à Aviação e por entidades
especializadas de outros paises. Isto não quer dizer perfeito e
infalível, como não o são todas as obras do Homem. É preciso
entender que acidentes aeronáuticos não ocorrem devido a uma só
causa como os “entendidos” já concluíram e apontaram os “culpados”
(estes já previamente julgados e condenados), desprezando o laudo
final fruto do conhecimento e da experiência dos técnicos
encarregados da investigação. O controle do tráfego aéreo
pode estar presente como fator contribuinte, mas não é, em absoluto,
a única e exclusiva causa. Daí, portanto, conduzir o
assunto como o está fazendo o Ministro da Defesa sob a orientação do
Chefe de Governo é prova de que o estão fazendo pelo caminho errado.
O Presidente da República tem o dever de, por juramento, defender a
Constituição e ser o guardião das instituições e do bem estar de
todos os cidadãos. Como Comandante Supremo das Forças Armadas ele
encarna a correta submissão destas ao Poder Civil, aí entendido pela
inquestionável supremacia da vontade nacional. Não foram ambos
capazes de entender, ainda, que o portentoso e complexo mundo da
Aviação está constituído por uma grande variedade de atividades
humanas, as quais são como anéis de uma gigantesca corrente e onde
se aplica, mais do que nunca, o princípio de que a resistência da
corrente é igual à resistência do seu elo mais frágil. Assim, nenhum
setor ou pessoa é mais ou menos importante do que o outro. No caso,
os controladores de tráfego aéreo são apenas um destes elos e o fim
da grave crise por eles instalada não está no diagnóstico simplista
e na receita apressada de que a solução está no atendimento às suas
reivindicações, conforme declaração de autoridade da agência
reguladora.
Desta feita, foi apenas uma “operação padrão” dos controladores
civis e dos militares por eles aliciados. Amanhã, sob total direção
civil e sem militares não amotinados como os de hoje, haverá greve
no controle do tráfego aéreo, com total paralisação do país, como já
ocorre com intensa freqüência no Ensino público, nos Bancos
oficiais, na Previdência oficial, nos Hospitais públicos, na área
dos petroleiros e, até mesmo na Receita e na Polícia Federais. Se é
isto o que realmente desejam os cidadãos-contribuintes em
contrapartida aos seus impostos e, no caso, às tarifas
aeroportuárias e de telecomunicações aeronáuticas, isto deve ser
decidido por eles através dos seus representantes, com a consciência
das repercussões desta opção. Estaria a sociedade brasileira
disposta a se tornar refém de uma categoria dos seus cidadãos como
ficou agora demonstrado? Já foi a ela perguntado se aprova a
rebeldia dos Sargentos em cumprir os deveres de militar bem claros e
por eles livre e espontaneamente aceitos ao entrar e permanecer no
serviço ativo da Força Aérea, após uma formação por ela totalmente
custeada, ao longo de dois anos, com fardamento, alojamento,
alimentação, educação, assistência médica e salário? O que pensaria
esta mesma sociedade se os militares pára-quedistas do Esquadrão
Aeroterrestre de Salvamento (PARASAR), do Centro de Instrução de
Guerra na Selva (CIGS) e de muitas outras Unidades Militares
engajadas na operação se recusassem a fazer a busca e o resgate dos
corpos alegando falta de condições para tal diante das inimagináveis
adversidades por eles enfrentadas e vencidas? Qual seria a posição
do Ministro da Defesa e do Comandante Supremo se estes militares
buscassem dispensa médica alegando, além de doenças fictícias, falta
de condições psicológicas e outras frescuras? Por fim e isto é
muito, muito importante, o que pensaria deles o povo brasileiro, se
suas esposas e filhos fossem à televisão, instadas por maus
jornalistas, para, com lamúrias infantis e sob vergonhoso anonimato,
vociferar idiotices contra a missão quase sobre-humana por eles
executada? Coisa que jamais o fariam, pois quem conhece, admira e
respeita aquela tropa sabe que a sua fibra e valor têm como alicerce
o Ideal compartilhado e expresso pelo apoio e o sacrifício a eles
dedicados por suas maravilhosas famílias. Felizmente, nestes
profissionais das armas em particular e em suas Forças Armadas como
um todo o Brasil pode confiar e deles só tem que se orgulhar, e
muito!
A propósito, é preciso dizer a esta sociedade que no ano de 1981
ocorreu nos Estados Unidos uma greve neste setor, com a conseqüente
demissão, pelo então Presidente Reagan, de todos os 12.800
controladores de tráfego aéreo nela envolvidos (sem retorno
posterior), diante da proibição da Lei de que àquela categoria
profissional era negado este direito. Isto ocorreu no país paladino
da Democracia e maior defensor das garantias individuais. Naquela
ocasião, os militares, de um outro sistema, assumiram o controle da
situação e preservaram os interesses maiores da coletividade. Também
na França, no início da década de 1970, ocorreu uma greve igual e da
qual resultou um acidente de grandes e graves proporções com a
colisão em vôo de dois aviões, um deles da empresa espanhola
Spantax. Àquela época o Brasil estava iniciando a concretização da
sua concepção DACTA e foi motivo de elogio pelos franceses, então
fornecedores dos equipamentos para o nosso hoje consagrado (embora
denegrido pelos que dele deviam se orgulhar e defender) sistema.
Uma das muitas verdades que vão aflorar destes acontecimentos é a
de que o DECEA vem fazendo muito mais do que lhe é possível diante
das limitações orçamentárias a ele impostas pelo Governo o qual,
para encobrir sua própria culpa, afasta o seu Diretor e
Vice-Diretor, imolando pessoas competentes, sérias e dedicadas,
cujas vidas foram devotadas ao sistema que conhecem como poucos.
Assim, dá-se uma falsa demonstração de poder para uma opinião
pública ávida por atitudes, pouco importando se esta atitude implica
na injustiça não só com profissionais respeitáveis, mas com todo um
sistema e uma história de realizações. Pouco importa a frustração e
a desilusão pela agressão ao patrimônio moral construído pelo
Tenente Brigadeiro do Ar Paulo Roberto Cardoso Vilarinho ao longo de
toda a sua exemplar e invejável carreira, se é mais importante
oferecer cabeças para saciar o populismo e mais proveitoso promover
o triunfo da rebeldia. Na verdade, o que interessa é ferir, no seu
sacrossanto âmago, a instituição militar pelo desprezo à Hierarquia
e à Disciplina como os fundamentos basilares para os requisitos
essenciais da profissão, expressos pela Competência, a
Responsabilidade e o Espírito de Corpo (não confundir com
Corporativismo, que é o ora praticado pelos controladores de tráfego
aéreo e, também, no Congresso Nacional quando parlamentares
corruptos se protegem mutuamente). Pouco importam os danos à
estrutura e à ordem social se é mais importante para o Governo
desmoralizar os Chefes Militares, revogando suas ordens de
convocação de militares para atender uma situação de emergência.
Esta convocação como recurso à Lei é, antes de mais nada, uma
imposição do dever em cumpri-la e fazê-la cumprir. A Lei não só o
permite fazer, como obriga o Comandante a que o faça, sob pena de
negligência como crime civil e de covardia como crime militar. Ao
cumprir com o seu dever , o Diretor do DECEA foi sacrificado por
utilizar os instrumentos legais que o país lhe outorgou na defesa
dos interesses e do direito de seus cidadãos. Pode-se, então,
imaginar o que teria acontecido se fosse o populismo governamental
“ameaçado” por uma prontidão com ocupação dos aeroportos para
proteção dos seus usuários e do patrimônio público e privado,
seguido da instauração de um Inquérito Policial Militar e da prisão
disciplinar dos militares amotinados e posterior julgamento dos
mesmos para a devida, justa e merecida sanção criminal. Tudo isto
sob o império da Lei e em obediência ao Estado de Direito, para usar
a expressão tão ao gosto dos defensores da liberdade e do interesse
do coletivo sobre o individual.
Finalmente, há que se ter, por parte do Governo, a humildade e a
coragem de reconhecer que houve, sim, contingenciamento (quem o diz
é o TCU) de recursos preciosos e indispensáveis para o funcionamento
pleno do sistema. É preciso parar com a desfaçatez de insistir no
que se sabe sobejamente não ser verdade e adotar a solução evidente,
qual seja, prover os meios para que funcione o que já existe e da
maneira como existe, sem necessidade de nenhuma mudança. Isto é,
para que o Comando da Aeronáutica e o DECEA possam cumprir sua
missão, simplesmente dêem-lhes os meios e deixem-nos trabalhar, como
bem o sabem fazer e sempre o fizeram. Não os atrapalhem com palpites
e engodos para a opinião pública e que estes meios não sejam apenas
de recursos financeiros e admissão de pessoal, mas também de
respeito à população, à autoridade, à ordem e à disciplina. Não é
necessário constituir grupo de trabalho sob a direção da Chefe da
Casa Civil, que do assunto nada entende a não ser da necessidade de
oferecer cabeças para encobrir a ineficiência geral causada pelo
aparelhamento da máquina pública por sindicalistas e integrantes do
partido governamental, juntamente a outros comensais neste butim a
que está submetido o Estado, cujas instituições estão sendo ou já
foram tomadas de assalto por militantes “aloprados” (é “ele” quem o
diz) e seus sequazes de uma coligação vendilhona de cargos e
favores.
Infelizmente, não há poder de síntese capaz se resumir em poucas
linhas assunto de tal dimensão e complexidade quando o objetivo é de
esclarecer, informando dados e explicando aspectos técnicos, ainda
que superficialmente, como foi a meta buscada desde o início destas
considerações. Não se pretendeu, em absoluto, fazer qualquer defesa
de qualquer posição em favor da permanência, ou não, do SISCEAB sob
o ‘comandamento’ da Aeronáutica. Onde quer que esteja e sob que
comando se encontre, o mais importante de tudo é o seu funcionamento
com a eficiência requerida a um custo compatível, dirigido e
composto por profissionais competentes, honestos e sérios, realmente
comprometidos e devotados às suas tarefas e responsabilidades. Está,
pois, lançada a questão: se o Brasil acha que não está bem assim,
tem todo o direito e o dever de fazer as mudanças que julgar
necessárias. Observe-se, entretanto, que dissemos Brasil e, não, um
pequeno grupo de donos da verdade e do poder a impor sua vontade à
uma população, ainda que esta, mesmo aviltada e espoliada, venha se
mostrando ignorante, submissa e acomodada, incapaz de reagir até
mesmo e simplesmente pelo exercício dos direitos democráticos e
constitucionais do voto e da cobrança de resultados. À guisa de
encerramento cabe mencionar um ditado atribuído aos índios Sioux de
que “não se deve julgar o seu semelhante antes de ter andado sete
dias com as sandálias dele”. Por isso e, sobretudo, por elevadas
e soberanas razões de grande afeição pessoal e do devido e merecido
respeito militar, não cabe julgar atitudes superiores por quem as
devia tomar, individual ou coletivamente. Cabe, porém, indagar se
houve a grandeza de espírito na renúncia pela sabedoria de
contemporizar para evitar uma possível crise maior, ou se prevaleceu
a conveniente acomodação diante de fatores desconhecidos para quem é
um mero, embora muito triste e indignado, expectador e sofredor
diante de tantas e tamanhas ofensas a todo o credo de nossas vidas.
O futuro o dirá na forma dos custos inaceitáveis que, a História o
tem mostrado, são cobrados quando se negocia o inegociável, pois
transigir quando a situação requer a coragem da intransigência foi o
que levou – sem exagero, apenas como comparação e guardadas as
devidas proporções – a ascensão de Hitler a partir da tibieza de
Chamberlain diante das exigências de Ribentrop. Do outro lado do
Atlântico, há quase 60 anos, este comportamento levou à devastação
da Europa, cuja catástrofe atravessou a Ásia, atingindo o Japão e o
Pacífico. Ceifou 50 milhões de vidas e fez outros tantos de feridos
e mutilados. Desta tragédia o mundo emergiu mais cauteloso e soube
evitar conflitos generalizados. Enquanto lá os escombros foram
removidos e reconstruídas as bases físicas, econômicas e
psicossociais do continente, promovendo a recuperação, o progresso e
a união, do lado de cá, no alvorecer do século XXI, o
desmantelamento de todas as virtudes essenciais através do
retrocesso de uma ideologia espúria coloca uma nação outrora
promissora e pacífica em franca e acelerada marcha à ré,
impulsionada pela corrupção e pela destruição dos valores
fundamentais para uma sociedade também outrora unida e sem
preconceitos. Tudo de acordo com o corolário de um socialismo
tupiniquim que de autêntico tem apenas o individualismo e a busca de
vantagens pessoais a qualquer custo.