Ao chegar ontem, 30 de março, à minha
residência, tarde da noite, fiquei estarrecido com o noticiário.
O Brasil estava parado, em conseqüência de uma greve geral,
envolvendo controladores de vôo civis e militares, pelo fato do
governo não ter ainda atendido suas reivindicações, quais sejam:
desmilitarização da atividade, aumento de salário e maior folga em
suas escalas.
O pior disso tudo, é que, apesar da população brasileira,
espalhada pelo aeroportos do País, estar em plena agonia e
revoltada, além do prejuízo econômico estabelecido, as autoridades
estavam preocupadas na solução imediata do problema, através de
acordo com a categoria grevista.
Nas negociações, até o momento em que assistia o noticiário, que
já ia pela madrugada, não ouvi, se quer, o nome de um oficial
superior ou general da Aeronáutica participando das tratativas. Vi o
Vice-Presidente da República sendo entrevistado, assim como o
Ministro da Defesa. Na tentativa de um acordo, enunciavam-se nomes
como dos Ministros do Planejamento, da Casa Civil e de outros
órgãos, todos civis sem qualquer cultura aeronáutica e muito menos
militar.
Para piorar ainda mais, a retórica era em se atender,
imediatamente, as reivindicações dos grevistas, além de abolir ou
neutralizar as supostas medidas punitivas, regulamentares, que o
Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo
(CINDACTA) teria aplicado aos infratores.
A palavra “punição” para delinqüente, infelizmente, no momento
atual não soa bem para as autoridades políticas e da magistratura,
diante dos últimos atos de violência constantes do noticiário.
Agora, para inconseqüentes pagos pelo Governo e que fizeram um
compromisso de servir à Nação, mas que na realidade “cruzam os
braços” e se omitem a executar uma atividade importante,
comprometendo, inclusive, perdas de vidas, como as que aconteceram
no acidente com o BOEING 737-800 da GOL, “punição” é tabu. A palavra
de ordem é a contemporização, o diálogo e, sobretudo, atender ao
reclamo.
Ao ver este cenário, constatei que estávamos diante de uma das
piores crises dos últimos tempos que o País está passando.
Primeiramente é a quebra da disciplina, pilar que rege toda a
hierarquia militar. Segundo é a paralisação do País, tolhendo a
liberdade de ir e vir do cidadão, com o comprometimento da economia
do País.
O outro fato é a degradação da imagem da nossa aviação civil,
estampando para o mundo globalizado um País em plena decadência
naquilo que fora expoente, tanto na Aviação Civil, repito, como no
Controle do Tráfego Aéreo.
A seguinte situação é a vulnerabilidade do nosso espaço aéreo,
afetando a Segurança Nacional.
A última e a pior é o momento em que isso foi feito, isto é, na
ausência do Exmo. Sr. Presidente da República, quando está em viagem
a serviço e se encontra nos Estados Unidos, impossibilitado de
entrar, nesse instante, em nosso espaço aéreo por motivo de
segurança de vôo.
Diante de todas essas reflexões, como cidadão e Coronel da
Reserva da Aeronáutica, conclamo meus ex-chefes e ex-comandantes
oficiais generais, bem como as autoridades da Aeronáutica militar da
ativa constituída a não cederem “um milímetro” nas negociações.
O momento é de união. O “Toque de Reunir” deve ser dado, para uma
convocação geral e, já que os controladores não querem ficar
aquartelados, os militares da aeronáutica da ativa e da reserva que
o fiquem para preservar os interesses nacionais e a ordem.
Por coincidência, hoje são 31 de Março. Lá se vão 43 (quarenta e
três) anos, quando o País passou por episódios dramáticos, tudo
devido à conturbação, em conseqüência de atos indisciplinados,
principalmente nos quartéis.
A desordem de ontem, nos aeroportos, e a manifestação de revolta
da Sociedade faz lembrar a “marcha com Deus para a liberdade”. O
povo quer justiça, o cidadão pede punição para os culpados, enfim
não quer negociar com traidores.
Os sargentos controladores de vôo, talvez intuídos por outras
forças, estão sendo “os inocentes úteis” e dando mal exemplo aos
demais colegas de graduação que são modelo de profissionais de Força
Aérea Brasileira. Tenho certeza que os sargentos componentes dos
demais quadros especialistas da FAB e das demais Forças co-irmãs
(Marinha e Exército) acompanham essa transgressão perplexos.
Posso falar isso com propriedade, já que tive a honra de cursar a
briosa Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAer), formando-me
Terceiro Sargento em Julho de 1967. Antes de ingressar no Lendário
Campo dos Afonsos, em janeiro de 1968, como Cadete da Aeronáutica,
conclui com orgulho o curso de Mecânico da Aeronave C-47 (o antigo
DC-3).
Além de trabalhar ao lado de exímios sargentos profissionais na
área de manutenção, eletrônica, hidráulica, chapas e metais de
aeronaves, chefie, ao longo da minha carreira, como oficial,
especialistas que só dignificaram a Força Aérea. Desde o encargo de
oficial de dia, quando contava com o apoio do adjunto e do sargento
da guarda, passando pelas chefias das seções de Intendência,
Planejamento, Subsistência, Provisões e Suprimento Técnico, tendo
como ajudantes sargentos gestores, até na área operacional, quando
tive que ser orientado por sargentos “guerreiros”, do Parasar, nos
treinamentos de pára-quedismo e sobrevivência na selva, por motivo
de chefia do Curso de Intendência na AFA, só convivi com aqueles que
honravam a farda azul que trajavam.
Assim, dá para perceber o meu reconhecimento por uma classe de
bravos homens que contribuíram e contribuem, sobremaneira, pelo
engrandecimento das atividades fim e meio da nossa Aviação Militar.
Da mesma forma, externo o meu repúdio por uma minoria de sargentos,
que negando o seu compromisso à Bandeira Nacional, insubordinam-se
às autoridades, provocando prejuízo moral, econômico e psicológico à
nação e à Sociedade Brasileira.
Hoje, como membro do Corpo Permanente da Escola Superior de
Guerra (ESG), ministrando instrução de Desenvolvimento, Defesa e
Segurança, Logística e Mobilização Nacional, Inteligência
Estratégica e outros assuntos à elite nacional quer como estagiários
nos diversos cursos da ESG, quer nos cursos das Associações dos
Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG) e nos Estágios
Intensivos de Mobilização Nacional (EIMN) do Ministério da Defesa
espalhados pelos diversos rincões do País, antevejo um colapso na
Aeronáutica Civil e Militar, que poderá se expandir para outras
instituições nacionais, caso medidas drásticas disciplinares não
sejam tomadas de imediato.
Essas minhas palavras encontram mais eco, quando me lembro do
168º Encontro no Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica
(INCAER), no dia 28 mar 07, na última quarta-feira, após a palestra
sobre “O Ataque a Pearl Harbor”, proferida, simultaneamente, pelo
Excelentísmo Gen. Ex. Braga e CMG Márcio, com a presença dos velhas
águias e Ex-Ministros da Aeronáutica, com depoimento de ex-pilotos
de caça da FAB que participaram, heroicamente, dos combates aéreos
nos céus da Itália e, logo a seguir, a entronização do saudoso Ten.
Brig. Ar. João Camarão Telles Ribeiro à Galeria dos Patronos do
INCAER, no sentido da construção de um longo caminho glorioso da
nossa aeronáutica, estar sofrendo agora, uma tentativa de degradação
de sua imagem por aventureiros, que se dizem militares, mas que, na
realidade, estão traindo toda uma história dignificante do povo
brasileiro.
Para concluir, se alguém me perguntasse qual a sugestão para
resolver o problema que vem se agravando há 6 (seis) meses, eu
proporia a punição disciplinar exemplar a todos os grevistas,
afastando-os das atividades à medida do possível, e contrataria, de
imediato, suboficiais e sargentos controladores de tráfego aéreo da
reserva remunerada por tempo de tarefa determinada, até que novos
quadros fossem formados pela EEAER e a não negociação quanto a
desmilitarização da atividade.
Com esse ensejo e sabedor que a imprensa não repassa a real
situação dos fatos, podendo a Sociedade ouvir opinião abalizada
sobre a crise no espaço aéreo somente em alguns sites, como por
exemplo, o www.reservaer.com.br, vou distribuir essas reflexões,
como nacionalista e defensor dos interesses nacionais, aos Militares
da Aeronáutica, inclusive da minha turma de cadetes, Contato 65/68,
tendo ainda alguns Brigadeiros da ativa, e cópia a militares da
Marinha e do Exército, todos interligados na minha rede da Internet.
Essa é a única maneira, em um primeiro instante, que enxergo em
contribuir com a eliminação do colapso aéreo que o Brasil está
passando, devido à postura impatriótica e desumana praticada por
maus brasileiros, enquanto não soa o Toque de Reunir das Forças
Legais e que soou em alguns períodos da História do Brasil, a fim de
restabelecer a ordem vigente.
Antonio Celente
Videira é membro do Corpo Permanente da Escola Superior
de Guerra e Mestre em Administração pela UNESA.