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O serviço militar obrigatório: nivelamento republicano e mobilização nacional
1. A base da defesa nacional é a identificação da Nação com as Forças Armadas e das
Forças Armadas com a Nação. Tal identificação exige que a Nação compreenda
serem inseparáveis as causas do desenvolvimento e da defesa.
O Serviço Militar Obrigatório será, por isso, mantido e reforçado. É a mais importante
garantia da defesa nacional. Pode ser também o mais eficaz nivelador republicano,
permitindo que a Nação se encontre acima de suas classes sociais.
2. As Forças Armadas limitarão e reverterão a tendência de diminuir a proporção de
recrutas e de aumentar a proporção de soldados profissionais.
No Exército, respeitada a necessidade de especialistas, a maioria do efetivo de
soldados deverá sempre continuar a ser de recrutas do Serviço Militar Obrigatório.
Na Marinha e na Força Aérea, a necessidade de contar com especialistas,
formados ao longo de vários anos, deverá ter como contrapeso a importância
estratégica de manter abertos os canais do recrutamento.
O conflito entre as vantagens do profissionalismo e os valores do recrutamento há
de ser atenuado por meio da educação - técnica e geral, porém de orientação
analítica e capacitadora - que será ministrada aos recrutas ao longo do período de
serviço.
3. As Forças Armadas se colocarão no rumo de tornar o Serviço Militar realmente
obrigatório. Não se contentarão em deixar que a desproporção entre o número muito
maior de obrigados ao serviço e o número muito menor de vagas e de necessidades
das Forças seja resolvido pelo critério da auto-seleção de recrutas desejosos de
servir. O uso preponderante de tal critério, ainda que sob o efeito de melhores
atrativos financeiros, limita o potencial do serviço militar, em prejuízo de seus
objetivos de defesa nacional e de nivelamento republicano.
Os recrutas serão selecionados por dois critérios principais. O primeiro será a
combinação do vigor físico com a capacidade analítica, medida de maneira
independente do nível de informação ou de formação cultural de que goze o recruta.
O segundo será o da representação de todas as classes sociais e regiões do país.
4. Complementarmente ao Serviço Militar Obrigatório instituir-se-á Serviço Civil, de
amplas proporções. Nele poderão ser progressivamente aproveitados os jovens
brasileiros que não forem incorporados no Serviço Militar. Nesse serviço civil -
concebido como generalização das aspirações do Projeto Rondon - receberão os
incorporados, de acordo com suas qualificações e preferências, formação para poder
participar de um trabalho social.
Esse trabalho se destinará a atender às carências do povo brasileiro e a reafirmar a
unidade da Nação. Receberão, também, os participantes do Serviço Civil,
treinamento militar básico que lhes permita compor força de reserva, mobilizável em
circunstâncias de necessidade. Serão catalogados, de acordo com suas habilita-
ções, para eventual mobilização.
À medida que os recursos o permitirem, os jovens do Serviço Civil serão estimulados
a servir em região do País diferente daquelas de onde são originários.
Até que se criem as condições para instituir plenamente o Serviço Civil, as Forças
Armadas tratarão, por meio de trabalho conjunto com os prefeitos municipais, de
restabelecer a tradição dos Tiros de Guerra.
Em princípio, todas as prefeituras do País deverão estar aptas para participar dessa
renovação dos Tiros de Guerra, derrubadas as restrições legais que ainda restringem
o rol dos municípios qualificados.
5. Os Serviços Militar e Civil evoluirão em conjunto com as providências para assegurar
a mobilização nacional em caso de necessidade, de acordo com a Lei de Mobilização
Nacional. O Brasil entenderá, em todo o momento, que sua defesa depende do
potencial de mobilizar recursos humanos e materiais em grande escala, muito além
do efetivo das suas Forças Armadas em tempo de paz.
Jamais tratará a evolução tecnológica como alternativa à mobilização nacional;
aquela será entendida como instrumento desta. Ao assegurar a flexibilidade de suas
Forças Armadas, assegurará também a elasticidade delas.
6. É importante para a defesa nacional que o oficialato seja representativo de todos os
setores da sociedade brasileira. É bom que os filhos de trabalhadores ingressem nas
academias militares. Entretanto, a ampla representação de todas as classes sociais
nas academias militares é imperativo de segurança nacional.
Duas condições são indispensáveis para que se alcance esse objetivo.
A primeira é que a carreira militar seja remunerada com vencimentos competitivos
com outras valorizadas carreiras do Estado. A segunda condição é que a Nação
abrace a causa da defesa e nela identifique requisito para o engrandecimento do
povo brasileiro.
7. Um interesse estratégico do Estado é a formação de especialistas civis em
assuntos de defesa. No intuito de formá-los, o Governo Federal deve apoiar, nas
universidades, um amplo espectro de programas e de cursos que versem sobre a
defesa.
A Escola Superior de Guerra deve servir como um dos principais instrumentos de tal
formação. Deve, também, organizar o debate permanente, entre as lideranças civis
e militares, a respeito dos problemas da defesa. Para melhor cumprir essas funções,
deverá a Escola ser transferida para Brasília, sem prejuízo de sua presença no
Rio de Janeiro, e passar a contar com o engajamento direto do Estado-Maior
Conjunto das Forças Armadas e dos Estados-Maiores das três Forças.
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