-> A Estratégia nacional de defesa é inseparável de estratégia nacional de
desenvolvimento. Esta motiva aquela. Aquela fornece escudo para esta. Cada uma
reforça as razões da outra. Em ambas, se desperta para a nacionalidade e constrói-
se a Nação. Defendido, o Brasil terá como dizer não, quando tiver que dizer
não. Terá capacidade para construir seu próprio modelo de desenvolvimento.
-> Difícil – e necessário – é para um País que pouco trato teve com guerras,
convencer-se da necessidade de defender-se para poder construir-se. Não
bastam, ainda que sejam proveitosos e até mesmo indispensáveis, os argumentos
que invocam as utilidades das tecnologias e dos conhecimentos da defesa para o
desenvolvimento do País. Os recursos demandados pela defesa exigem uma
transformação de consciências para que se constitua uma estratégia de defesa
para o Brasil.
-> Difícil – e necessário – é para as Forças Armadas de um País tão pacífico como o
Brasil manterem, em meio à paz, o impulso de se prepararem para o combate e de
cultivarem, em prol desse preparo, o hábito da transformação.
Disposição para mudar é o que a Nação está a exigir agora de seus marinheiros,
soldados e aviadores. Não se trata apenas de financiar e de equipar as Forças
Armadas. Trata-se de transformá-las, para melhor defenderem o Brasil.
-> Projeto forte de defesa favorece projeto forte de desenvolvimento. Forte é o
projeto de desenvolvimento que, sejam quais forem suas demais orientações,
se guie pelos seguintes princípios:
a) Independência nacional, efetivada pela mobilização de recursos físicos,
econômicos e humanos, para o investimento no potencial produtivo do País.
Aproveitar a poupança estrangeira, sem dela depender;
b) Independência nacional, alcançada pela capacitação tecnológica autônoma,
inclusive nos estratégicos setores espacial, cibernético e nuclear. Não é
independente quem não tem o domínio das tecnologias sensíveis, tanto para a
defesa como para o desenvolvimento; e
c) Independência nacional, assegurada pela democratização de oportunidades
educativas e econômicas e pelas oportunidades para ampliar a
participação popular nos processos decisórios da vida política e econômica
do País. O Brasil não será independente enquanto faltar para parcela do seu povo
condições para aprender, trabalhar e produzir.
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