-> A atuação do Estado brasileiro em relação à defesa tem como fundamento a
obrigação de contribuir para a elevação do nível de segurança do País, tanto em
tempo de paz, quanto em situação de conflito.
-> A vertente preventiva da Defesa Nacional reside na valorização da ação diplomática
como instrumento primeiro de solução de conflitos e em postura estratégica
baseada na existência de capacidade militar com credibilidade, apta a gerar efeito
dissuasório.
Baseia-se, para tanto, nos seguintes pressupostos básicos:
I - fronteiras e limites perfeitamente definidos e reconhecidos internacionalmente;
II - estreito relacionamento com os países vizinhos e com a comunidade
internacional baseado na confiança e no respeito mútuos;
III - rejeição à guerra de conquista;
IV - busca da solução pacífica de controvérsias;
V - valorização dos foros multilaterais;
VI - existência de forças armadas modernas, balanceadas e aprestadas; e
VII - capacidade de mobilização nacional.
-> A vertente reativa da defesa, no caso de ocorrer agressão ao País, empregará todo
o poder nacional, com ênfase na expressão militar, exercendo o direito de legítima
defesa previsto na Carta da ONU.
-> Em conflito de maior extensão, de forma coerente com sua história e o cenário
vislumbrado, o Brasil poderá participar de arranjo de defesa coletiva autorizado
pelo Conselho de Segurança da ONU.
-> No gerenciamento de crises internacionais de natureza político-estratégica, o
Governo determinará a articulação dos diversos setores envolvidos. O emprego
das Forças Armadas poderá ocorrer de diferentes formas, de acordo com os
interesses nacionais.
-> A expressão militar do País fundamenta-se na capacidade das Forças Armadas e
no potencial dos recursos nacionais mobilizáveis.
-> As Forças Armadas devem estar ajustadas à estatura político-estratégica do País,
considerando-se, dentre outros fatores, a dimensão geográfica, a capacidade
econômica e a população existente.
-> A ausência de litígios bélicos manifestos, a natureza difusa das atuais ameaças e
o elevado grau de incertezas, produto da velocidade com que as mudanças
ocorrem, exigem ênfase na atividade de inteligência e na capacidade de pronta
resposta das Forças Armadas, às quais estão subjacentes características, tais
como versatilidade, interoperabilidade, sustentabilidade e mobilidade estratégica,
por meio de forças leves e flexíveis, aptas a atuarem de modo combinado e a
cumprirem diferentes tipos de missões.
-> O fortalecimento da capacitação do País no campo da defesa é essencial e deve
ser obtido com o envolvimento permanente dos setores governamental, industrial e
acadêmico, voltados à produção científica e tecnológica e para a inovação.
O desenvolvimento da indústria de defesa, incluindo o domínio de tecnologias de
uso dual, é fundamental para alcançar o abastecimento seguro e previsível de
materiais e serviços de defesa.
-> A integração regional da indústria de defesa, a exemplo do Mercosul, deve ser
objeto de medidas que propiciem o desenvolvimento mútuo, a ampliação dos
mercados e a obtenção de autonomia estratégica.
-> Além dos países e blocos tradicionalmente aliados, o Brasil deverá buscar outras
parcerias estratégicas, visando a ampliar as oportunidades de intercâmbio e
a geração de confiança na área de defesa.
-> Em virtude da importância estratégica e da riqueza que abrigam, a Amazônia
brasileira e o Atlântico Sul são áreas prioritárias para a Defesa Nacional.
-> Para contrapor-se às ameaças à Amazônia, é imprescindível executar uma série de
ações estratégicas voltadas para o fortalecimento da presença militar, efetiva ação
do Estado no desenvolvimento sócio-econômico e ampliação da cooperação com os
países vizinhos, visando à defesa das riquezas naturais e do meio ambiente.
-> No Atlântico Sul, é necessário que o País disponha de meios com capacidade de
exercer a vigilância e a defesa das águas jurisdicionais brasileiras, bem como
manter a segurança das linhas de comunicações marítimas.
-> O Brasil precisa dispor de meios e capacidade de exercer a vigilância, o controle e
a defesa do seu espaço aéreo, aí incluídas as áreas continental e marítima, bem
como manter a segurança das linhas de navegação aéreas.
-> Com base na Constituição Federal e em prol da Defesa Nacional, as Forças Armadas
poderão ser empregadas contra ameaças internas, visando à preservação do
exercício da soberania do Estado e à indissolubilidade da unidade federativa.
-> Para ampliar a projeção do País no concerto mundial e reafirmar seu compromisso
com a defesa da paz e com a cooperação entre os povos, o Brasil deverá
intensificar sua participação em ações humanitárias e em missões de paz sob a
égide de organismos multilaterais.
-> Com base na Constituição Federal e nos atos internacionais ratificados, que
repudiam e condenam o terrorismo, é imprescindível que o País disponha de
estrutura ágil, capaz de prevenir ações terroristas e de conduzir operações de
contraterrorismo.
-> Para minimizar os danos de possível ataque cibernético, é essencial a busca
permanente do aperfeiçoamento dos dispositivos de segurança e a adoção de
procedimentos que reduzam a vulnerabilidade dos sistemas e permitam seu
pronto restabelecimento.
-> O desenvolvimento de mentalidade de defesa no seio da sociedade brasileira é
fundamental para sensibilizá-la acerca da importância das questões que envolvam
ameaças à soberania, aos interesses nacionais e à integridade territorial do País.
-> É prioritário assegurar a previsibilidade na alocação de recursos, em quantidade
suficiente, para permitir o preparo adequado das Forças Armadas.
-> O emprego das Forças Armadas na garantia da lei e da ordem não se insere no
contexto deste documento e ocorre de acordo com legislação específica.
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